Há dois anos atrás, a Volkswagen na China lançou uma campanha de marketing chamada “Projeto Carro do Povo” (PCP), que convidou os clientes chineses a enviar idéias para carros do futuro. Os participantes poderiam modificar desenhos em um Web site que Volkswagen criou para o projeto, ou poderiam fazer upload de seus próprios projetos. Wang Jia, uma estudante e residente de Chengdu, na província de Sichuan do país, escolheu o último, projetando um carro ecologico flutuante para duas pessoas.

Jia enviou esboços de um carro que levita e poderia ser manobrado facilmente em um ambiente como o centro da cidade, diz Simon Loasby, chefe de design em China do grupo Volkswagen. A equipe VW aprimorou o projeto. “Nós finalizamos o conceito, incluindo um vídeo mostrando como ele iria funcionar,” acrescenta. “Foi o máximo em matéria de sonho, porque não existe uma versão em produzida do carro”.

 

O carro imaginário fica suspenso com o auxílio de levitação magnética, semelhante à forma que alguns trens Maglev (trens-bala) viajam ao longo de trilhos especiais usando suspensão eletromagnética. (Outros trens Maglev usam forças electromagnéticas para propulsão sem realmente levantar o trem do chão). O Transrapid de Xangai tem transportado passageiros desde 2004 em uma linha de 30 quilômetros entre o Aeroporto Internacional de Pudong e arredores da cidade, em velocidades de até 430 quilômetros por hora. Ímãs a bordo e no trilho levantam o trem entre 8 e 12 milímetros, dependendo do quanto de corrente elétrica é usado.

 

O que impede que os veículos Maglev ganhem uso generalizado é a necessidade de instalar uma infra-estrutura de estradas e trilhos eletromagnéticos. Em seu vídeo, designers da Volkswagen prevêem um cenário onde rochas de ferro magnético ou minério abaixo Chengdu ajudam a criar a levitação do carro; como alternativa, os minerais poderiam ser extraídos e misturados com o asfalto. “Nós construimos um modelo em escala de um quarto do carro e usamos um pouco de cinema criativo para mostrar como ele iria trabalhar”, diz Loasby. Como retratado no vídeo (veja acima), o veículo teria de cerca de dois metros de diâmetro e cerca de 1,5 metros de largura.

 

No vídeo, os pais do Jia levam o carro flutuante em forma de roda para uma volta através de Chengdu. O narrador aponta uma série de características do carro imaginário, incluindo um controlador de joystick, piloto automático e um sensor de colisão-evasão. Para adicionar um pouco de realismo em uma cena, uma latinha jogada na rua rola para longe do carro quando este passa por ela.

 

Claro, para o carro do VW flutuante funcionar na prática, teria que custar menos para ser utilizado do que um carro comum e os peritos perguntam se isso é possível em um futuro previsível. “Você poderia argumentar que, porque há menos atrito, o carro flutuante seria mais eficiente do que os veículos movidos a combustível com pneus, freios e outros mecanismos,”, diz José Holguín-Veras, professor de engenharia civil e ambiental da Rensselaer Polytechnic University.

 

“Até ai, tudo bem, mas você ainda vai precisar de uma bateria recarregável ou alguma forma de energia para alimentar este veículo, e o investimento inicial em uma infra-estrutura de Maglev para o carro seria substancial.” Os únicos veículos que se beneficiariam de um investimento desses em infra-estrutura  seriam os próprios veículos hover — veículos sobre rodas que rodam com motores de combustão ou baterias ainda precisariam de estradas bem mantidas.

 

Tão imaginativo quanto é o carro flutuante VW, Holguín-Veras diz, transporte de massa ainda é a melhor opção para populações urbanas no futuro, com o inchaço das cidades e o aumento dos congestionamentos.

 

Talvez a solução, então, não sejam carros movidos por energia eletromagnética, mas sim ônibus urbanos que poderiam fazer uso desta tecnologia. Estes poderiam acomodar mais passageiros, proporcionando maior cobertura do que os trens maglev confinados a trilhos específicos.

 

E agora, depois de ver o vídeo que a VW criou, quem não ia querer dar uma volta no carro flutuante de Jia?

 

Fonte: ScientificAmerican