No mercado de trabalho de design temos três formas atuação profissional bem distintas, (1) freela (profissional contratado para realizar um ou vários trabalhos, sem vinculo empregatício) (2) empregado (trabalha em empresas, escritórios, institutos ou empresas que prestam serviço em design, assalariado) e  (3) empreendedor (empresário ou micro-empresário que emprega outros profissionais de design). Sabemos que cada uma destas formas tem suas “problemáticas”. O que fazer para viver bravamente de design?

Neste post irei comentar e acrescentar elementos à metodologia de trabalho proposta por Roberto Jana (ChocolaDesign.com.br) que me inspirou a continuar o raciocínio para “viver de design”.  As idéias aqui expostas podem ser usadas tanto por profissionais empregados, freelancers ou donos de estúdios de design.

Vamos às ideais:

1 – Se Autopromover

Como ser visto de forma profissional se o mercado que não te conhece? Eis uma das partes mais complexas do trabalho de designer que poucas faculdade ensinam–> se mostrar (!). Criar uma imagem positiva de sí mesmo nas pessoas, clientes e futuros clientes. É uma das habilidade que o profissional deve treinar. Sempre faça um plano de ação, definindo metas e prazos. E neste momento é importante:

  • Possuir marca profissional (ou do seu escritório/estúdio);
  • Ter Cartão de visitas;
  • Usar as redes sociais como meio de divulgação;
  • Ter seu portfólio online (Dependendo da sua área de atuação, pode ser necessário um portfólio que possa ser enviado por email);
  • Participar de Eventos, divulgando seus serviços (e a si mesmo);
  • Escreva regularmente para algum blog ou site;
  • Crie um projeto pessoal (e o divulgue!).

 

2 – Ter bom atendimento

Atender é um arte que requer prática, disposição e treino. Se você não tem essa habilidade, faça cursos ou contrate alguém que possa fazer essa interface com os possíveis clientes/fornecedores. Para um bom atendimento, recomendo:

  • Ser atencioso, olhe nos olhos do cliente;
  • Tenha uma postura positiva e cortês;
  • Preste atenção ao seu modo de falar e escrever (evite gírias);
  • Vista-se adequadamente para uma reunião/encontro de negócios;
  • Procure informações sobre o cliente (conheça-o);
  • Nunca se atrase para encontros de negócio ou prospecção;
  • Faça reuniões a distância (skype, hangout, FaceTime entre outros).

 

3 – Negociar bem

Negociar é uma das partes mais vitais do processo de venda de serviços em design. Muitos profissionais ficam confusos quando precisam precificar seus projetos. Há vários balizadores, desde de tabelas de categoria até cálculos de custos. O  importante é primeiro avaliar o projeto antes de repassar algum preço. Para uma negociação satisfatória:

  • Sempre analise o briefing do projeto que irá fazer;
  • Tenha um modelo de orçamento;
  • Tente descobrir o tamanho do negócio da empresa que vai prestar serviço;
  • Sempre tenha em mente uma contraproposta em caso de não aceitação da proposta de orçamento;
  • Estipule prazos de duração e obrigações (suas e do cliente) via contrato assinado em cartório;
  • Ofereça formas de pagamento diferenciadas (à vista, parcelado ou crédito);
  • Fique atento ao cliente que negocia sempre o menor preço (às vezes até ao absurdo), para ele design não é investimento, é commoditie. Fuga deste tipo de cliente;
  • Nunca dê um preço do serviço de cara. Pense, analise e tome a decisão lógica, e repasse o orçamento;
  • Faça um contrato de prestação de serviço/projeto que seja bom para você e para o cliente.

 

4 – Bom Gerenciamento de projeto

Umas das fases de um projeto que mais requer sua atenção. Se o briefing não foi bem feito, ou não veio com as informações corretas, pode acontecer o retrabalho. A principal atenção em um gerenciamento de projetos é o tempo que você tem (e o cliente também!) – time is money! e também pode ser prejuízo… para gerenciar melhor seus projetos:

  • Estipule prazos e metas (cronograma);
  • Divida o trabalho em etapas x tempo de execução;
  • Defina a prioridade das tarefas;
  • Controle/Avalie a qualidade ao fim de cada etapa;
  • Evite retrabalho ou modificações não previstas em contrato, siga o briefing!;
  • Fique atento ao cronograma, e principalmente, cumpra-o à risca.

 

5 – Administrar e Gerir recursos

Um dos pontos mais complexos da carreira profissional, é gerir, investir na constante melhoria de seu trabalho. Organizar projetos, prever tempo, aplicar recursos requer disciplina e muita atenção na carreira profissional. para melhor administra e gerir seu negócio:

  • Faça um levantamento das contas mensais (planejadas e não-planejadas);
  • Inclua seus gastos nos orçamentos (luz, internet, telefone, etc);
  • Identifique e elimine gastos desnecessários;
  • Não seja sovina. Preze sempre a qualidade/durabilidade dos insumos e equipamentos que utiliza;
  • Invista sempre na constante melhoria dos processos de organização dos projetos/equipe de trabalho.

 

6 – Desenvolver ideias

Para alguns, a parte mais divertida do trabalho de um designer. Acredite,  você precisa organizar o seu processo de criatividade a partir ferramentas e técnicas  de criatividade. O “divertido” deve ser sempre “lógico”. Para um rico processo criativo:

  • Realize brainstorm com o clientes e possíveis fornecedores e/ou parceiros de trabalho;
  • Trabalhe o conceito do projeto a partir do Briefing;
  • Faça pesquisas preliminares;
  • Aplique ferramentas de pensamento criativo e lógico (canvas, brainstorm, analogias, entre outros);
  • Identifique limitações técnicas/conceituais nos projetos (atento ao briefing!);
  • Trabalhe sempre mais de 3 alternativas por projeto/cliente;
  • Verifique o produto/conceito antes da apresentação ao cliente (e evite surpresas negativas);
  • Tenha sempre um processo de escolha/seleção transparente, caso o cliente questione os critérios que você adotou na escolha da alternativa que está apresentando a ele. Fuja do achismo, do “eu gostei”.

 

7 – Investir em Ferramentas, materiais e local de trabalho

Escolha sempre que puder, o melhor: o melhor equipamento, o melhor software para o trabalho e escolha um ambiente bem divertido que te ponha pra cima. Se você não sabe, pegue dicas com aos amigos e colegas de mercado. No uso de ferramentas, considere:

  • Em ter ferramentas (computadores, mesas e etc) que atendam suas necessidades;
  • Adquira os softwares necessários;
  • Tenha uma boa internet;
  • Crie um bom ambiente de trabalho;
  • Invista em serviços online (fotos, templates, tipografias e etc).

 

8 – Bons contatos comerciais (fornecedores e prestadores de serviço)

Um dos maiores erros que um profissional de design pode cometer após ter um projeto que levou horas, foi aprovado (o cliente adorou), é deixar o seu trabalho nas mãos de um fornecedor incapaz que torná-lo realidade da forma que foi projetado e pensando. Para uma melhor relação comercial:

  • Crie uma lista de (bons) fornecedores;
  • Monitore a qualidade dos serviços;
  • Sempre entregar arquivos fechados, e se for o caso com um modelo impresso (boneco) bem próximo ao resultado final e peça que o fornecedor siga esse boneco;
  • Recorra à amigos quanto para indicação de bons fornecedores, pesquise;
  • Procure saber a opinião do cliente do material que foi entregue pelo fornecedor;
  • Crie parcerias e estreite laço com profissionais de outras áreas correlatas.

 

9 – Cobrar o valor adequado por projeto

É muito comum ver soluções tais como tabelas, cálculos financeiros (custos fixos + custos variáveis + margem de lucro e etc). Em alguns casos, são até válidos, mas em algumas situações você poder perder dinheiro. Gosto muito de como Montalvo (ilustrador) descreve seu processo de elaboração de preço a partir da abrangência/Alcance do trabalho.

Somando ao que o Montalvo disse, algumas dicas:

  • Nunca cobre o mesmo preço para clientes de tamanhos distintos;
  • Tenha formas de pagamento flexível, porém tenha tudo assinado em contrato confirmado em cartório;
  • Cobre o justo, nem mais nem menos do que vale de seu projeto;
  • Preço não é igual a valor. Valor é aquilo que o seu trabalho vai agregar a imagem, às práticas e a visão que o mercado tem de seu cliente através de seu projeto.

 

10 – Ser Ético

Profissional de verdade é ético. Ético com os colegas de profissão. Ético com os fornecedores. Ético com o cliente. Ético com o mercado.  Convém aqui alertar:

  • Não faça trabalhos por preço abaixo do mercado;
  • Ao aceitar continuar um trabalho feito por outro designer, entre em contato com o mesmo e ao final do projeto, dê o crédito correspondente. Não seja um FDP que pega uma ideia coletiva e diz ser unicamente sua;
  • Não participe de concursos ou trabalhos especulativos, pois isso deprecia nossa profissão e tem um efeito terrível no mercado;
  • Seja profissional e ético em suas críticas à outros profissionais e trabalhos. Nunca se sabe o amanhã.

 

Eram estas as ideias que tenho sobre “viver de design” gostaria de colaborar com este texto? me envie um email!

Fonte 1: viver como freela, ou morrer tentando
Fonte 2: Preço não é valor
Fonte 3: Código de ética do Design (ADG)