Na década de 60, registrou-se o auge da metodologia projetual, quando os interesses econômicos e tecnológicos se voltaram para esse campo, até então mantido em estado de tranqüilidade bucólica. Esse processo culminou com a academização da metodologia, institucionalizada como disciplina universitária. Os metodólogos descobriram ser necessário explicar a lógica interna da seqüência de passo que um projeto deveria dar.

A industria exigia do projetistas, designers, arquitetos e engenheiros a chamada razão instrumental do projeto desenvolvido, uma vez que a indústria estava em pleno desenvolvimento tecnológico. Nestas áreas notou-se um salto qualitativo. Quanto ao uso e desenvolvimento de metodologias, fato que não se observou na área de comunicação visual, que demorou para estabelecer uma metodologia do fazer projetual.

Durante muito tempo foram estudadas questões no âmbito de metodologia de projetos, assim como seu uso no design, e em conseqüência da aplicação exagerada da metodologia, surge um fenômeno denominado metodolatria (adotação da metodologia como tábua de salvação de projetos), que por vezes, escondia a incapacidade criativa por trás de uma metodologia.

Foram criadas metodologias em vários países ( centrais/dominadores e periféricos/dominados) que se diferenciam pela política econômica, tecnológica e cultural presentes nos países-origem destas metodologias, e portanto, com diferentes sistemas produtivos. Um bom exemplo se passou no inicio da ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial- Brasil) que importou seu ensino da BAUHAUS, resultando em profissionais brasileiros com um conhecimento alheio à indústria nacional, ainda em fase de instalação no Brasil (!). O que deve ficar claro é que não podemos confiar exageradamente em métodos propostos por alguns autores, e sim, formular nossos próprios em nossa prática diária de projeto.

No design, a metodologia tem uma importância vital, pois ela fornece ferramentas para se alcançar um resultado, mas um pedaço deste resultado depende da própria inclinação criativa do indivíduo (se ele é conservador ou irreverente) que é traduzida no produto projetado (visualmente ou materialmente).

Sob o ponto de visita profissional, a metodologia projetual não pode ser considerada tábua de salvação para projetos em design. Ela ajuda a focalizar o problema, mas o tratamento dado a ele dever ser próprio e característico que a situação de projeto exige somando á criatividade. Senão estaremos tentando por um quadrado em um buraco redondo, estaremos criando mais um problema, e não uma solução simples e criativa.

Muita da famosa repulsa do estudante de design vem á tona pelo tratamento frio e árido usado ao analisar os problemas, e esta vem do próprio sistema tradicional de ensino vindo ainda da década de 60, que ao meu ver precisa ser revisto o quanto antes. Estamos em pleno século XXI – as indústrias mudaram, as pessoas mudaram, e infelizmente, o ensino projetual continua o mesmo

A metodologia é uma ferramenta poderosa nas mãos do designer, quando bem entendida e aplicada ao que se deseja realizar. O ideal (que observei durante toda minha vida acadêmica e docente) é que cada um de nós designers, necessitamos ser críticos e criativos também(!). É necessário o equilíbrio intelectual e criativo no projeto de design.

Projetar somente com metodologia torna o projeto árido, e por outro lado, criar sem lógica beira o irracional e utópico. O design não pode ser utópico, sem fundamento.

O Designer precisa de organização criativa aliada a uma boa metodologia, e de preferência, a sua própria.