Um evento bem organizado, profissionais de ponta na área de design, ilustração, fashion e motion design.  Trabalhos contextualizados, impactantes, premiados, conceituais, expressionistas e muito vivência em design me provaram que os mesmos problemas vividos no design local se repetem mundo a fora. Apesar de SP ser uma metrópole e com larga história no design, ainda há pessoas que desconhecem o design (!).

Vamos ao resumo dos dois dias:

Rico Lins (BRA)

 

 

 

 

 

 

Abre o evento com uma palestra técnica: explica seus projetos na última década, vivência no exterior e como o “analógico” do design ainda permeia seu trabalho, ao misturar o design digital com o impresso lambe-lambe. Na exploração digital e interação com o trabalho bruto realizado em gráficas, ele pode juntar os dois mundos (digital + analógico) em trabalhos primorosos e premiados.  Um dos pontos altos, foi suas colocações sobre como as leis podem afetar o design gráfico (a lei “cidade limpa” em SP, por exemplo), e mostrar alguns de seus trabalhos feitos nos anos 90 – O almanaque dos Sentidos (Zoomp) que para mim foi o melhor material de design gráfico e moda que já vi na vida. E, encerra sua palestra, enfatizando que vale muito mais “pensar”  antes de ir ao “computador”, pois este último é  ferramenta, não a solução para o design gráfico.

Santa Estúdio (BRA)

 

 

 

 

 

 

 

Iniciam os trabalhos falando sobre o conceito da agência, e como a internet rompeu barreiras geográficas e transformou o trabalho das pessoas e agências de design/comunicação nesta última década. Um Macbook Pro pode ser uma empresa? basta estar conectado a internet? – esse foi um mote muito bem apresentado pela empresa, tudo depende do “workflow digital” que você possui. O contexto da concorrência nesses tempos de internet deixou ser local ou nacional para ser “global” e as empresas devem cada vez mais se aprimorar na busca de ferramentas para vencer a concorrência. Apresentaram três cases (Vinheta Acesso MTV), China’n’rock (China in Box) e encerram falando do game online “Moment” que promete revolucionar a web, sendo o mesmo um projeto “did you self” da agência. Uma boa palestra sobre pré e pós-produção em design, e de certa forma sobre empreendedorismo em design. Inspirador.

Molly Crabapple (ilustradora, EUA)

 

 

 

 

 

 

Molly inicia a palestra agradecendo a todos, a organização e fala sobre como o estilo vitoriano de desenho influencia o seu trabalho, que apesar de recheado a críticas sociais, lida com o imaginário no estilo “alice no país das maravilhas”.  Em seguida comenta sobre sua trajetória até a ilustração (foi dançarina burlesca e estudou artes em NY). Seu trabalho é caracterizado estruturalmente pela riqueza de detalhes nos quais conta uma história relacionada ao tema principal de uma ilustração.  Lidera um projeto de ilustração mundial intitulado “Dr. Sketchy’s” que tem versões em 100 países (!) e agora também no Brasil – em SP. Neste projeto, tal como no ínicio do século XX, usam o mesmo modo operantis criativo de Telouse Lutrec (veja moulin rouge) ao criar: um pouco de alcool para liberar a luxuria criativa.

Digital Domain (David Rousenbaun, EUA)
digitaldomain

Encerra o primeiro dia com a melhor palestra do Evento: motion, CG aplicada a publicidade e cinema. Vinhetas incríveis de projetos desenvolvidos para clientes nos EUA (Disney, Hollywood entre outros) e Europa (Audi) que mostram o potencial de CG que o escritório chegou: sketchs em CG (animatics) são já o a CG sem a renderização final com os materiais inseridos, o que se mostrou o grande diferencial do estúdio. E o último trabalho do escritório promete: Tron Legacy (Disney Studios, 2010). Encheu os olhos. Aplaudido por todos no encerramento da 1o dia. Emocionante. Alguns trabalhos apresentados na demoreel do estúdio: Titanic (1998), Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, Transformers, O curioso caso de Benjamim Button, Eu Robô etc.


Nelson Balaban (BRA)
nelson

Um jovem Diretor de Arte que já é “veterano” no design. Não se auto-define com designer, porque tem consciência que não tem formação acadêmica, mas apenas técnica. Explica seu processo criativo e diz valorizar muito o trabalho coletivo, quando os prazos apertam e o cliente não tem tempo disponível.  Aos 17 anos iniciou-se no publicidade, aos 20 anos já é Diretor de Arte premiado e comentado em diversas publicações. Destaque: veja o vídeo criado para a campanha da Coca-cola para o lançamento do “007: Quantum of solace” impressionante. Tem bastante bagagem, o que gerou ciúmes no twitter, em alguns jovens que aparentemente não têm tanto foco profissonal nesta idade. Em breve nova campanha de “O Boticário”com assinatura deste rapaz: criativo!

Cubo CC (BRA)
cubo

Técnicos: trabalho estruturado, 90 pessoas ligadas indiretamente e a busca incessante de diferenciais tornam essa agência uma das mais criativas e produtivas do cenário nacional. Uma prova que o design pode engolir a publicidade, e levar o conhecimento de um produto a um nível mais alto.  Clientes como Google, Nokia, Unilever e Pepsico mostram como o potencial criativo do estúdio é um dos mais admirados no Brasil e Exterior. Nova campanha Axe rockstar prova o que estou falando – “viralizar” o trabalho em redes sociais, internet, tv, video e impresso. O escritório sabe bem como explorar as diversas (e possíveis) mídias onde os projetos podem ser veiculados. Estratégia e foco são as palavras-chave do trabalho desta agência.

Estúdio Árvore (BRA)
arvore

Estilismo e Design a serviço do mercado. Formado por Rodrigo Hideki e Vitor Santos. que tem uma sólida história na moda brasileira: um designer gráfico (Hideki) por anos no setor, e outro estilista (Santos) de marcas famosas do cenário. Produção cenográfica, estilismos, design gráfico, trabalho colaborativo, gestão criativa com foco e agência “in house” trabalhando num conceito que evita a pressão em favor do trabalho criativo e experimentação. Clientes SPFW, Redley, New Balance, Fiat entre outros.

Sesper (Street Art, BRA)
sesper

Música, Skate e Stree Art. Artista com influência (e vivência) nos anos 80 e 90. Passando por grafite, fanzine até chegar em colagens que tornaram famoso no cenário artístico e underground nacional e internacional. Já expos trabalhos em galerias no Brasil e Exterior. Seu trabalho é marcado pela crítica, pelo desejo de exprimir suas emoções sobre as coisas que vê em sua vida. Um de seus trabalhos mais conhecidos é a capa de cd para o cantor Nando Reis e ilustrações para shapes de marcas famosas de skate. “For Fun”  sua frase durante a palestra.

Musa Worklab (POR)
musa

“Escritório português que tem por missao divulgar o design português no mundo” palavras proferidas pelos palestrantes. Seu projeto “Hello World” é uma coleção de trabalhos de design gráfico, intervenções, exposições e produtos colocados em um vídeoclipe de excelente trilha sonora (rave) + impacto visual de cores, contraste e motion design. Visualmente a melhor apresentação de todo o Evento. Por diversas vezes aplaudidos – foi um bombardeio visual para os meus olhos, me fez repensar conceitos e rumos para os meus projetos.  10!