O grande trabalho do Designer é transformar necessidades em soluções medidas por resultado, satisfação, ego e desejo. Na verdade raras são no design, soluções eternas. Basta entendermos como funciona a atual dinâmica do consumo ditada pelo mercado de consumo no sistema capitalista. E, com base nesse mercado, empresas podem se reposicionar, criar novos produtos e procurar (e criar) mercados inexplorados. O design também segue essa tendência como elemento que influencia (e é influenciado), tanto pela indústria que dita os meios de produção quanto pelos usuários que ditam elementos culturais e sociais.

Nos últimos 20 anos o design se desenvolveu com base na explosão de consumo atrelado a produtos de alta tecnologia (produtos eletroeletrônicos, computação e novos materiais). Desenvolvimento esse superior aos de todas décadas anteriores do século XX. As indústrias se especializaram, novos mecanismos de estimulo ao consumo foram implementados, ampliou-se o leque de produtos e cria-se segmentos de mercado. O capitalismo deu um salto gradual com a globalização e, a própria indústria cultural deu origem a movimentos sociais e, “tribos” que consomem produtos e serviços específicos (hell angels, nerds, rockers, amantes de marcas como apple … designers!) oferecidos por estas empresas via estímulos audiovisuais (propaganda! design!). Nesse novo contexto, o design desenvolve elementos “diferenciadores” para estas tribos, uma vez que cria toda uma cultura material/visual especifica. A famosa ditadura da moda alicerçada no “diferente” e, agora também é um ardil que a indústria usa ao inserir o design em sua cadeia produtiva.

E, é neste momento que o designer precisa conhecer a linguagem que orienta e estimula essas tribos sociais a consumir produtos e serviços específicos. Seja um especialista, não um generalista!

Considerando o design forte como ferramenta na cadeia capitalista, podemos afirmar que não existe no design solução duradoura, como falamos anteriormente – mas, a que melhor se adequa ao momento. E assim seguem os ciclos evolutivos/consumista da sociedade. Tudo pode ser implementado a seu tempo, conforme as necessidades da sociedade (!). Necessidades? cada vez a pessoas comprar produtos que não precisam… carro do ano, novo modelo de celular… nova linha de computadores… (!)

Para melhor fazermos nosso trabalho, enquanto profissionais de cultura/tecnologia, devemos conhecer elementos antropológicos que permeiam a cultural, a sociedade, a psicologia de consumo, os mecanismo de produção, tudo que remete o design ao campo do pensamento tecnicista. O designer antes de tudo, é um profissional técnico, pois precisa manipular toda essa variáveis no ato criativo, a ainda adapta-las em um tempo pré-determinado pelo cliente e pelo momento de referências visuais em que vivemos. Sei muitos colegas de profissão não gostam, mas acabamos contribuindo para o eufemismo da moda.

Um produto quando sai de uma prateleira e atende um usuário, tem determinada função. E quando ele é descartado? Precisamos refletir sobre o que vivemos e fazemos profissionalmente, e também suas consequências – sejam estas, questões sociais, econômicas e ecológicas. Pensar antevendo as consequências de nosso trabalho é intrínseco ao nosso ato projetal de design, podemos projetar corretamente produtos, comunicação direcionada com criatividade quase que naturalmente, basta nos policiarmos nesta direção: Ética.