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Regulamentação do design já! Foi esse o tempo para a publicidade genuinamente brasileira ser construída - fincar bases, promover concursos, criar instituições e associações que protegem e regulamentam a atividade publicitária no País. O mesmo não aconteceu ao Design. Hoje temos quase uma centena de cursos no Brasil, várias especializações, mestrados e doutorados na área. Então, não terá chegado o momento de regulamentar? Há anos se desconfia de um grande lobby de profissionais com formações heterogêneas que se alvoroçam quando falamos em regulamentar a atividade de designer. Querendo ou não, estamos nos referindo a “galinha dos ovos de ouro” para escritórios de publicidade, arquitetura e jornalismo que historicamente tem desempenhado funções ligadas à área de Design. Marca é competência de designer, assim com embalagem, interface, ponto-de-venda. Somos técnica e artisticamente treinados para fazer Design. E um dos comentários mais vazios que já li sobre o tema é o que afirma que o designer se acomodaria, pois ele teria reserva de mercado, que iria ser ruim para cliente porque ele sempre pagaria mais caro pelo design e na haveria concorrência justa... É jargão, conversa para boi dormir. Não se deve acreditar nisso. Todas as profissões que passaram por regulamentação tenderam a aumentar o prestigio e respeito de seus profissionais pela sociedade civil e pela mídia. Para que a regulamentação aconteça, não se devem adotar radicalismos em seu processo. É fato que há profissionais, que apesar de não ter um canudo, tem talento e saber notório (e alguns casos, dezenas de prêmios). Seria extrema incoerência barrar pessoas de conhecimento comprovado em desempenhar a função de Designer. Os designers devem adotar um discurso conciliador, aglutinador e proativo a esta causa – afinal é bom para todos (!). Um dos maiores erros que vejo é tentar transformar a regulamentação em “caça as bruxas”. E cria-se um gueto entre os formados e não formados. A regulamentação é boa para o profissional e principalmente ao cliente. Valendo aqui citar alguns aspectos positivos que o design pode alcançar com a regulamentação, tais como: 1) A possibilidade de termos um teto salarial mínimo (que normalmente é estipulado por Conselhos Federais para outras profissões). Só isso já seria um gigantesco avanço no sentido de tornar a profissão respeitada por empresas de comunicação, indústrias e pelo Governo Federal; 2) Diminuição da invasão de profissionais de outras áreas no Design. O arquiteto que projeta móvel, e não casas e prédios (!). O jornalista que não escreve texto, mas é bom diagramação (!); 3) Todos trabalhariam com o mesmo custo, e caberia ao cliente escolher por portfolio qual o melhor profissional a atendê-lo (!) e qualidade seria o critério, não o preço; 4) Preço justo ao trabalho executado. Normalmente vejo muitos alunos se decepcionarem ao ingressarem no mercado de design com pseudo-profissionais de design que cobram R$50 por uma marca, quando o preço real é 50 vezes esse valor. Elaboração e adoção de tabela de preço único. 5) Maior participação do designer nas empresas no sentido da valorização profissional e da clara inserção no mercado de trabalho, com sua função definida por um conselho profissional; 6) O cliente poderia denunciar o mal profissional a entidade de classe que defenderia a ética, o trabalho e qualidade do que é oferecido em termos de Design a problemas de comunicação e produtos; Itens como estes devem ser discutidos, colocados em pauta e defendidos por todos que trabalham com Design – independente de formação em Design ou não. Enquanto brigam “formados e não-formados”, a regulamentação não vai à diante, empaca. Bom para o lobby contrário e péssimo para o profissional design. O mercado já entende isso: temos que mudar nossa mentalidade sobre quem tem ou não o direito de fazer Design. Primeiro ordem na casa.Depois, na categoria.
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